Total de visualizações de página

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Palmeira assassina.

Eu estava visitando alguns blogs,como de costume,e percebi que o suicidio é um tema bastante trabalhado.
A doçura que a morte parece transparecer a quem observa é de grande notoriedade.
Talvez seja pela coragem suprema de conseguir por um ponto final a própria vida ou a covardia relevante de não enfrentar os problemas até ter uma resolução.
Acho eu que,quando alguém toma o suicidio como solução é porque os olhos estão cerrados pelos sentimentos. A pessoa se torna miope de sua dor,refem de sua tristeza.
Lembrei de certa vez quando eu fazia a oitava série...
Eu escrevi um pequeno texto de duas páginas (frente e verso),ele falava como esse sentimento mortífero me aflingia. Eu não me lembro ao certo se era a primeira crise concreta da minha depressão, mas que esse tal sentimento era alimentado por esta minha doença,era uma certeza.
Também não me lembro bem o que de fato escrevi,mas ao lembrar me veio algo bem parecido...


"Era tão complexo me jogar as traças como palmeira velha.
Eu estava deixando de ser a menina pentelha para me tornar mulher.
Sabendo que no futuro eu não teria mais a certeza de quem seria,
Fui arrebatada por esta rebeldia funebre.
Talvez a maior decisão momentanea que eu teria em minhas mãos era de escolher quem iria morrer primeiro.
Se a menina ou a mulher.
Mas percebi que com o passar dos anos a cada dia eu falecia.
Cada célula transfigurada pelo tempo,as ligações genéticas sendo quebradas...
Era mais fácil e menos doloroso eu não ser a dona da escolha em que o meu tempo acasse.
E deixar que as horas me tratassem como palmeira velha,esperar que os ventos destroçassem minhas palhas.
Enfim adubo eu seria,sem nenhum sofrimento ou mágoa."



As vezes é mais fácil deixar o tempo tomar nossas escolhas, porque nunca será fácil saber qual a hora de encerrar uma vida,mesmo ela sendo a sua vida em particular.

Alicia Matos Öberg.

3 comentários:

  1. Eu queria falar aqui de suicidio e de uma sensibilidade comum a todo adolescente. Eu, quando um dia, revisitando meus escritos de 16 anos, percebi o quanto eu era triste, melancólico, revoltado com o mundo. Era o momento em que estava descobrindo o mundo, conscientemente ou não. Mas queria falar também do quanto me sinto atraido pelas imagens desse blogger. Existe uma diferença entre imagens pornograficas e imagens eroticas. E a diferença está aqui. As imagens eroticas nos toca de maneira diferente, ela não se entrega ao olhar totalmente, uma parte é imaginação, ela nos faz imaginar, mexe com os sentidos. Muito bom seu Blogger.

    ResponderExcluir
  2. Já podemos trocar o termo "adolescente" por "pseudo-depressivo".
    Para mim o corpo é uma arte,não somente o feminimo,mas o masculino tambem.
    Mas aqui no blog quero ressaltar meu lado mais sensivel,por isso o copor feminino representado aqui. Porque a mulher é a união de todos os elos contrários...

    ResponderExcluir
  3. Olá estranha. É mais ou menos interessante o que você diz, sendo que você fala de sua experiência. Ou não.

    Acredito que, pelo contrário, complementar, que o suicídio é uma coisa inextrincável à indecisão das prioridades das coisas, numa vida. Então, chamar de poser, ou de covarde, é um tanto superficial. Tal como você diz, tem gente en'cerrado' em seus sentimentos. E como você diz, no meu blog, que há gente que propagandeia um eu efêmero por ser doente de algo. Talvez doente da vida. Mas, acho que é mais corajoso de todo ser, aquele que toma a decisão de ser morto, eternamente, ao invés de buscar uma eternidade metafórica de indecisão se sim ao viver da experiência de sair de si ou de viver amarrado com medinho ou receio e criar belas externalidades bem pensadas de como exteriorizar suas coisas de dentro.

    Não direi dos outros, mas, de mim, já cheguei em certos momentos de me ver desesperado comigo mesmo sem saber o que era palpável para mim, em termos de prioridade, quando percebi que se continuasse tal fábula, haveria de me igualar aos que repudiei(io).

    Escolhi viver e a não escolher um senso único de vida, ou de função. A vida é além disso.

    A imagem que vejo da sombra que segura um cálice me deu até vontade de beber um vinho. Mas não, prefiro ver as coisas sóbrio. Ou não. Mas tal vontade passa, eu fico. Parado? Sóbrio? Não. Pelo menos, não do ponto de vista etílico.


    Eduardo de Andrade Machado

    ResponderExcluir